Jantar MulticulturalAcabei não publicando o Guia Fofa e Chuchuzinho em Barcelona, mas foi ha muito tempo, hoje quero falar do presente. Mas tenho que contar um pouco sobre o que aconteceu la.
Encontrei uma amiga de BH que havia acabado de chegar, a Nina. Irmã de uma grande amiga minha, Mariana Pessoa, ela estava la para estudar. Nos acompanhou com a motivação do mais perfeito guia turistico perdido (é, ela não conhecia quase nada ainda!), andamos pra caramba. Enfim, a Nina chegou antes de ontem em Paris, e esta hospedada la em casa.
Ontem à noite fizemos um jantar francês pra ela, com filé de peru ao molho roquefort e purê de batas ao azeite (a receita do purê é do Chef francês Robuchon!), compramos um bordeaux, uma baguette, 2 outros tipos de queijos, um Coulommiers e um Comté que acabaram ficando para outro dia, pois ja não tinhamos mais espaço no estômago (salvo para l'infini fondant de Lindor, avec un cœur délicieusement fondant enrobé de fin chocolat au lait, da Lindt lol).
Em meio à toda essa gourmandize, começamos um assunto multicultural, e eu ainda não tinha me dado conta da riqueza dessa minha experiência, vivendo em Paris ha quase 1 ano. Comecei a falar, e o negocio aqui é muito louco, gente. Espiem:
- Os Asiaticos, com foco principal nos Chineses:Quando cheguei aqui, algumas pessoas haviam mencionado que os milhares de chineses que vêem estudar em Paris não costumam se misturar com franceses e outras nacionalidades. Achei aquilo muito estranho, e me precipitei com alguma critica de pouca ênfase porém negativa à esse tipo de atitude, por não-conhecimento de causa, e como primeira impressão. Vi claramente o fenômeno acontecer na minha turma de Mestrado. Detalhe que as universidades na França reservam uma quota de vagas para os chineses. Consigo imaginar alguns possiveis motivos, por exemplo a enorme dificuldade que os ocidentais têm de fazer negocios com asiaticos, e a China hoje é um paraiso potencial de negocios, é a grande usina do mundo, e todos querem ter uma estrelinha daquele grande céu vermelho.
Durante meu estagio, compartilhei minha sala com um estagiario chinês. E, com a convivência, comecei a entender e tirar minhas conclusões sobre os 2 pontos em questão. Gente, a cultura é MUITO diferente. Se eu ja tive todas as dificuldades para me adaptar, eu digo que no mesmo periodo de tempo eles sentem o choque à quinta potência. Não seria então de se assustar que NOS também tenhamos tantos obstaculos quando vamos à casa deles. Para vocês terem uma idéia, fui outro dia à Virgin Megastore (hehe agora estou lendo Neil Gaiman en francês rsrs bom para aprender as girias, gente!) e alucinei quando vi uma sessão da loja totalmente dedicada à livros tipo auto-ajuda com titulos: 'Aprenda a fazer negocios com chineses', 'Sim, você pode virar chinês em 45min cronometrados!'... Ah, outra coisa interessante: ha quem diga que os chineses são tão perspicazes, que têm planos secretos de conquistar o mundo. Não faltam casos de chineses que aparecem por aqui e acabam sendo presos por trafico ilegal de informações. Outro dia saiu no jornal uma chinesa que fazia seu estagio numa empresa da Normandia, e estava enviando informações confidenciais à China. Outra: os grupos de turistas que descem de um ônibus, começam a tirar fotos sem parar de tudo o que vêem, sobem no ônibus de novo e fazem a mesma coisa 100m adiante. O que fazem com tanta foto? Espionagem? OHHHH!!!
- Russia Polônia ... URSS?Não tive muito contato com russos e estrangeiros de outros paises da antiga união soviética, mas hoje ja tenho uma visão muito mais concreta e pelo momento um pouco chocante da historia desses povos. Fiquei muito amiga de uma polonesa, que ocupava meu posto antes da minha chegada no Bureau Veritas e que depois foi contratada no BV da Polonia, em Varsovia. Eu estou louca para ir la visita-la. Eu ficava muito impressionada de ouvir dela sobre o estado de Varsovia hoje, e como era antes do periodo de guerras, principalente apos a uma revolução liderada pela Resistência Polaca (meados de 1944), quando foi alvo de destruição sistematica pelo Exercito Vermelho, sem contar os campos de concentração alemães. Ela nunca entrou muito em detalhes, so dizia que ficava triste pelo estado da cidade hoje, mas da pra ver que o sentimento é muito profundo. Com razão.
Agora tem uma russa que foi contratada aqui no meu andar, muito simpatica, e uma vez ela disse que fica com odio mortal quando alguém pensa que ela é polonesa.
- Colonizações na América do Sul e na Africa:Este assunto me vem às vezes ao pensamento, e minha vinda para ca também fez com que meu sentimento sobre isso seja hoje muito mais forte e concreto. Acho que no Brasil a gente não consegue ter muita clareza de tudo que aconteceu em nosso continente desde que ele foi 'descoberto' pelos europeus.
Sinceramente, ainda preciso me informar melhor sobre a Africa, então não entrarei aqui em detalhes.
A maioria dos europeus tem a idéia romantizada de que as colonizações e as ações tomadas por seus antepassados em relação ao 'novo mundo' e aos povos que habitavam la, foram todas com sinceras intenções benévolas. Mesmo confessando que tenham cometido varios erros, na cabeça deles a idéia base era sempre de fazer o bem, trazer a civilização para nossa selvageria. Não é ironia minha, um francês chegou a me falar isso com orgulho. Não sei, ainda fico perturbada com isso, principalmente quando enfrento tantas dificuldades aqui simplesmente porque não nasci no territorio deles, e acabo sofrendo algum tipo de discriminação. Nada pesado, mas bem nitido.